Trânsito parado. Olho para o lado. Uma criança faz careta para mim. Na minha época, eu só fazia tchauzinho. Mas, tudo bem. Acho graça assim mesmo. No outro carro, um casal de velhinhos. Imagino quantas bodas estão juntos e ainda conversam. Tanto que nem percebem o trânsito parado. O caos. O estresse. Olho para eles e por um instante esqueço também onde estou. Ligo o rádio. E de repente, aquela canção. A nossa. E eu nem tive tempo de fazer as pazes com ela. Mas, não mudo de estação, não. Alguém a dedica para outra pessoa. Que não sou eu. Que não é você. Sorrio. Confesso que nunca pensei em outras pessoas dançando os nossos passos. É, o amor vai em frente. Ele não fica preso na marginal Segue fingindo ser igual para todo mundo. E único, somente para mim...
...como aquela música que todas as pessoas cantam.
Mas, só eu entendo a letra.
Biiiiii. Buzinam. Devo seguir?
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Insônia
Três horas da manhã. E eu por ora. Eu sem, ora. Queria ouvir uma música que me trouxesse você. Que dor. Ardor. Adoro. Amor? Uma música que me falasse desse seu soul. Três horas da manhã. E eu senhora. Cem por hora. Sem Paulinho da Viola...
Quatro horas da manhã. O tempo voa. Os meus pensamentos também. Ora em você, ora em nada. Hora vaga. Vagalume. E vanguarda. Eu queria roubar você. Por um segundo. Por uma hora. Para o meu quarto. Sem demora...
Cinco horas da manhã. Esta é a hora da troca de guarda de quem não tem rei. Nem coração. Ação. Só hora. Só oro. Sem fé. Cinco horas da manhã. E o ponteiro insiste em marcar um tempo que já se foi para sempre...
Seis horas da manhã. Hora de levantar. Já? Estou com preguiça de me maquiar. Arrumar. Esconder as minhas olheiras. Todos vão perceber e dizer sobre as horas que passei...
... e você ficou!
Saio, então, de óculos escuros!
Quatro horas da manhã. O tempo voa. Os meus pensamentos também. Ora em você, ora em nada. Hora vaga. Vagalume. E vanguarda. Eu queria roubar você. Por um segundo. Por uma hora. Para o meu quarto. Sem demora...
Cinco horas da manhã. Esta é a hora da troca de guarda de quem não tem rei. Nem coração. Ação. Só hora. Só oro. Sem fé. Cinco horas da manhã. E o ponteiro insiste em marcar um tempo que já se foi para sempre...
Seis horas da manhã. Hora de levantar. Já? Estou com preguiça de me maquiar. Arrumar. Esconder as minhas olheiras. Todos vão perceber e dizer sobre as horas que passei...
... e você ficou!
Saio, então, de óculos escuros!
sábado, 10 de outubro de 2009
o respeitável CIRCO da vida
Sentia-se artista. Um malabarista da vida. À cada hora equilibrando alguma coisa. Equilibrava-se em sua corda-bamba. Ora caia, ora ficava em pé. Era desempregado. Fazia bico. Fazia mágica para sobrar dinheiro. Mas, não sobrava, não. Matava um leão por dia. Era feliz assim mesmo. Com fome de pipoca e algodão-doce. Desejava que a vida fosse uma matinê de domingo. E sonhava. Sorria...
...como um saltimbanco trapalhão.
Só não gostava de ser palhaço do coração dela.
...como um saltimbanco trapalhão.
Só não gostava de ser palhaço do coração dela.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Matemática
Ela tem dois cestos de roupa suja para lavar. Vida dura, ela reclama! Mas, quem mandou acumular? Soma e multiplica-se. Jornada dupla de quem trabalha fora e depois volta para casa. Doce lar. É cuidadora. Cuida de um bebê e dezesseis avôs. Ganha o seu dinheiro assim e o divide entre os seus irmãos. Subtrai todas as suas alegrias e vontades. Mas, não perde a sua fé, não. Cem por cento crente, de alguma coisa. Reza o seu terço diariamente. Tem esperança de passar meia hora em outro lugar. Naqueles braços, dentro de um quarto.
E não liga a mínima de ir para os quintos do inferno pensando assim.
À noite, equaciona um jeito de isto acontecer...
E não liga a mínima de ir para os quintos do inferno pensando assim.
À noite, equaciona um jeito de isto acontecer...
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Sede
Cede!
Sê.
Seja de alguém.
De mim?
Estou com sede.
Que não passa,
não passa...
Nem com água com gás.
Esta sede que não cede já tem sede dentro de mim (e até filial)... há muito tempo.
Sê.
Seja de alguém.
De mim?
Estou com sede.
Que não passa,
não passa...
Nem com água com gás.
Esta sede que não cede já tem sede dentro de mim (e até filial)... há muito tempo.
sábado, 3 de outubro de 2009
Samba
(Em homenagem ao Rio. Principalmente à Lapa e ao seu samba que me roubou até ao amanhecer).
Você tem uma tristeza no olhar que te embeleza de algum modo que não sei explicar. É mistério. E essa vontade enorme de querer saber mais vem de você, não é? É mágico. É imã. É sol. Você é ritmo. Melodia e letra. Destas, que dá vontade de chorar de tão linda que é. Mas, não é bolero, não. É samba.
Você é samba, sabia?
"Organizaste uma festa em mim e é por isso que eu canto assim: la la laiá, lalaiá, lalaiá"
Você tem uma tristeza no olhar que te embeleza de algum modo que não sei explicar. É mistério. E essa vontade enorme de querer saber mais vem de você, não é? É mágico. É imã. É sol. Você é ritmo. Melodia e letra. Destas, que dá vontade de chorar de tão linda que é. Mas, não é bolero, não. É samba.
Você é samba, sabia?
"Organizaste uma festa em mim e é por isso que eu canto assim: la la laiá, lalaiá, lalaiá"
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Pre-texto
Eu invento algum pretexto para lhe ligar. Para lhe falar. Para saber de qualquer coisa: da chuva, do trânsito, do frio. Pergunto se devo escrever sobre a coragem. Você responde que sim. Escreva. Mas, não escrevo, claro. Não posso. Não devo. Como falar sobre aquilo que não sei? Que não sou. Falta me ousadia para dizer o que sinto. E sinto tanto. Sinto muito. Aí escrevo um pré-texto, ou dois. Uma quase poesia com uma certa tensão, na pretensão louca que você me leia nas entrelinhas. E descubra que eu nunca quis lhe perguntar nada...
... E só queria ouvir sua voz.
... E só queria ouvir sua voz.
Assinar:
Postagens (Atom)

