" Ele gostava tanto dessas palavras começadas por in- invisível, inviolável, incompreensível- que querem dizer o contrário do que deveriam. Ele próprio era inteiro o oposto do que deveria ser. A tal ponto que, quando o percebia intratável, para usar uma palavra que ele gostaria, suspeitava-o ao contrário: molhado de carinho. Pensava às vezes em tratá-lo dessa forma, pelo avesso, para que fôssemos mais felizes juntos. Nunca me atrevi" (Caio Fernando de Abreu)Todos pensavam que era um pseudônimo ou algo inventado, mas não, era este o nome dele mesmo. Legítimo. De batismo e cartório.
Filho caçula de um pai com um idealismo comunista e de uma mãe fã de uma certa banda inglesa, o nome escolhido não poderia ser diferente. Ele se chamava Paul Lênin.
E era dessa forma que gostava de ser chamado. Não só pelo primeiro nome e muito menos pelo segundo, ele tinha que ser chamado pelo conjunto. Assim como são chamadas as Marias Carolinas e as Anas Luísas.
Ele era bonito. Não Giannechini, não Cauã Reymond, mas de certa forma bonito. E possuía charme. E sabia como usá-lo. Sabia-se bonito.
E isto o deixava INSUPORTÁVEL. Palavra esta que ela aprendeu a usar com ele. E haviam outras características que ela não suportava (ela não tinha tanto suporte como imaginavam).
Mas, ela não o deixava. Pelo contrário, não se imaginava feliz em outro lugar.
Ele bebia, era da noite, era promíscuo. Mas possuía algo que fazia com que ela voltasse sempre: Ele escrevia.
INSUPORTAVELMENTE BEM!